Opinião de Quinta: Maldito desapego

 

“Vamos às regras classe – diz a professora (sociedade), para fazermos nas provas (vida) – vocês vão ter que ser desapegados de tudo. Nada de demonstrar sentimentos muito claramente, ok?”. Quem disse isso, cara? No post de hoje, nada de desapego em relação à indignação contra essas regras idiotas. Vem comigo…

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Reza a lenda que as pessoas gostam do que não tem. Não deixa de ser verdade. Por isso, alguém, algum dia, por esse ou outros motivos, inventou a idiotice de que temos que ser desapegados. “Não demonstre muito”. “Sem muita melosidade”. “Sem muito grude”. Tudo bem que extremos nunca são legais, mas onde está a “chama da paixão” nessa nossa sociedade fria? Como uma pedra de gelo ‘pegaria fogo’? Se bem, que parecemos bem mais líquidos, na sociedade líquida do Bauman, com relacionamentos líquidos.

Nos tornamos cada dia mais frios, mais calculistas. Vítimas de uma sociedade que só visa o lucro, o lucro, o lucro. Mas pessoas não são números. Não existem fórmulas e, não, não se pode viver no piloto automático. Precisamos de mais do que apenas assinar a lista de presença. E por que não pode demonstrar? Por que? Onde estão as pessoas que mandam uma mensagem de texto? Um texto no whatsapp? Ou até um inbox, uma carta, uma flor, uma música, um abraço, um olho no olho? Nossas relações se tornam mais do que líquidas. Elas se tornam descartáveis. Enlatadas. E, o pior, frias.

Não tem problema nenhum em demonstrarmos quem somos, o que sentimos, é legítimo. É preciso ter cuidado? Sim. Não podemos nos entregar para qualquer um? Não. Mas isso não significa que nos tornaremos robôs! Vá atrás! Demonstre! Onde estão as pessoas que deixam de ser sujeitos ocultos para se tornarem sujeitos com verbos e mais verbos em relação a… (pasmem) própria felicidade. Hey, acorde!

Toma uma posição. Para de ficar de “ah, se não vier, não vou. Se não fizer, não faço”. Faça. Seja a protagonista Arrisque. Viva. Mande mensagens, demonstre, deixe aquele inbox malandro, uma mensagem de texto, abrace forte sem hora pra soltar, não se prenda à essas regras dessa sociedade auto-destrutiva que só acaba com os relacionamentos. Pratique o apego à quem te faz bem!

É hora de acordar rapazeada. O tempo está se esgotando e no final dessa história a gente morre. Então, bora pra luta!

Linda semana :* Hugo Junior

Pensamento solto do dia: desapegue!

Sempre achei que Domingo e tempo frio combinam com uma coisa: colocar os pensamentos em dia, já que a correria do dia a dia nos impedem, muitas vezes, de pensar na vida. Quando a ideia de criar um blog surgiu, também pensamos em um espaço para compartilhar nossas próprias vidas ou experiências que já tivemos. Acho importante esse contato mais direto com vocês, é um jeito de irmos nos conhecendo melhor!

Portanto hoje, resolvi trazer um tema bastante familiar e que tenho certeza que todas vão conseguir se identificar: o desapego. Todos, em alguma fase da vida precisa aprender a se desapegar de algo, seja uma roupa, sapato, cidade, país ou até mesmo uma pessoa especial (confesso que esse ultimo caso é o mais complicado). Esses dias lendo o blog do Casal Sem Vergonha, encontrei um texto sobre o tema e quero compartilhar aqui alguns trechos.

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“Enquanto o agora for feliz, vale a pena. Mas no momento em que ele deixar de provocar felicidade, precisamos aprender algo que só a experiência nos ensina: deixar ir. Nunca é fácil. Dói. Pode parece bobagem, mas é extremamente difícil nos livrarmos desses pequenos fragmentos do passado que carregam com eles memórias – algumas boas, outras nem tanto, mas todas remetem a uma coisa que deixou de existir e que, portanto, deixou saudades. Mas somente desapegando conseguimos virar a página. Não dá pra levar as pastas e os arquivos do trabalho antigo pra o trabalho novo. Para que coisas novas possam chegar, é preciso deixar ir.  E quando o novo chega, você finalmente entende a importância desse processo. Você percebe que o vazio que pareceu ficar com o desprendimento foi logo ocupado por algo que te trouxe felicidade. De repente as memórias que doíam tanto hoje não doem mais. A ferida fechou e fez surgir uma nova pele. E com ela, promessas de um futuro bom.” (Casal sem vergonha) 

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Por experiência própria digo que desapegar não é tarefa fácil, leva um certo tempo e paciência até das pessoas ao redor (já que elas muitas vezes vão achar que é bobagem), mas é um passo necessário para que coisas melhores possam chegar até nós. Mas, o mais importante de tudo isso é SE PERMITIR, já que não adianta de nada gritar aos vários cantos do mundo que esqueceu e ainda remoer feridas. É a partir deste momento que você percebe que está pronta para um recomeço.

Ps: Como quis ficar “expert” no assunto, quero indicar uma leitura que tem me ajudado bastante: Henry Cloud – Coloque um ponto final (é um livro que não só fala sobre relacionamentos mas também sobre carreira, família).

Um beijo meninas,

Denise Paixão